sábado, 4 de janeiro de 2014

Dissecação do sertão I



Escuro...Escuro; escuta:
Goteja
toda abrupta
pulsando ininterrupta
vida em cristal de gruta

Pinga, pinga, insulta
escorrem severinos,
mineiros e atinos
a quem se prega multa:

Lavrar até a morte
sina de nunca sorte
a dessecar sertões.

E vexa Lampiões
quem pensa o coronel
só fazer tempo passado
declarado bordel.

Finitude circular

Somos infinitos à medida que perpetuamos nossos passos na história - individual ou coletivamente. Infinitos enquanto imaginamos que escafandristas de qualquer espécie um dia serão capazes de encontrar vestígios de quem - por dominar a técnica de violentar a própria natureza - auto-destruiu-se. Infinitos enquanto temos a dádiva mental de elaborar hipóteses de fuga ou retardo do nosso fim.
Portanto, pessoalmente infinitos - dado que o tamanho de cada infinito é absolutamente particular. E é poder de cada indivíduo optar pelo que lhe cabe. Ou ainda, pelo que cabe em si.
Cada qual tem o direito - e a possibilidade, por mais ínfima que seja - da escolha da extensão de seu infinito. É esta que determina a grandeza de sua finitude.
Aqueles cujas escolhas trouxeram os maiores - e/ou melhores - infinitos são os que fizeram da sua finitude o máximo aproveitamento de suas chances. São os que não se deixaram lograr por um potencial biótico ideal e tampouco pela mediocridade d’um crescimento real.
(Pois que “real” nada mais é do que um limite incutido em cada mente!)
Deste modo, vivemos num movimento confuso porém não definitivamente paradoxal: aquele em que o máximo aproveitamento das finitudes leva a seu esgotamento. Assim, paulatinamente, conduzindo-nos a nosso infinito particular.