terça-feira, 16 de agosto de 2016

Uma carta para seus olhos / Sobre jardins suspensos

Escrevo essa carta para os seus olhos,
muito embora eu tenha a certeza
de que ela flutuará para sempre nos seus jardins suspensos.
Pairando despercebida.

Me perdoe,
é meu velho vício de insistir no esgotado
simplesmente porque o coração diz que sim.
Vício de ouvir o sentimento quando é hora de ouvir a consciência
e vice-versa.

Seu silêncio adere a todas as paredes da minha mente
E dele tudo o que eu depreendo é solidão.
Eu queria que você pudesse me ouvir mais uma vez, em vez de escutar a mágoa.
Gostaria que você enxergasse que
Minha lógica procura por algum sinal de erro. Reconheço, o primeiro não foi entregar ao dono desse olhar um amor ainda desconhecido aos meus vinte e poucos anos. Foi a hesitação a ele.
Ainda que você insista em acreditar que não, o coração já pulsava a seu favor, mesmo quando do meu erro de ter hesitado à paixão.
O maior deles, como sempre, foi primar pela "lógica".

Mas, pobre de consciência, só pude descobrir agora que
Como eu queria morar mais uma vez na sua natureza,
por entre um olhar que não furta, mas dá cor,
Como queria que essa doçura que preenche seus vasos [como seiva]
degustasse meus dias, minhas xícaras de chá
e tragasse as amarguras que carregam minh'alma.

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